Destinós

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Destino
 
Sempre me pareceu uma ideia um pouco fechada acreditar que ele seria preconcebido.
 
Muito melhor acreditar que ele é, de alguma forma, realizado por nós mesmos.
 

“O destino baralha as cartas, e nós jogamos” [Schopenhauer]

O nosso destino é feito pelas pequenas ações do cotidiano.

E esse destino a gente escolhe para o sempre

Devemos agir de modo que sejamos capazes de querer que a vida se repita – da mesma forma – um milhão de vezes.

E depois disso, dizer: ’”Era isto a vida?’ – direi à morte. ‘Pois bem: repita-se!’”.[Zaratustra]

 

“[341] – o peso mais pesado. E se um dia ou uma noite um demônio se esgueirasse em tua mais solitária solidão e te dissesse: “Esta vida, assim como tu vives agora e como a viveste, terás de vivê-la ainda uma vez e ainda inúmeras vezes: e não haverá nela nada de novo, cada dor e cada prazer e cada pensamento e suspiro e tudo o que há de indivisivelmente pequeno e de grande em tua vida há de te retornar, e tudo na mesma ordem e sequência – e do mesmo modo esta aranha e este luar entre as árvores, e do mesmo modo este instante e eu próprio. A eterna ampulheta da existência será sempre virada outra vez – e tu com ela, poeirinha da poeira!”. Não te lançarias ao chão e rangerias os dentes e amaldiçoarias o demônio que te falasses assim? Ou viveste alguma vez um instante descomunal, em que lhe responderías: “Tu és um deus e nunca ouvi nada mais divino!” Se esse pensamento adquirisse poder sobre ti, assim como tu és, ele te transformaria e talvez te triturasse: a pergunta diante de tudo e de cada coisa: “Quero isto ainda uma vez e inúmeras vezes?” pesaria como o mais pesado dos pesos sobre o teu agir! Ou, então, como terias de ficar de bem contigo e mesmo com a vida, para não desejar nada mais do que essa última, eterna confirmação e chancela?”[Nietzsche. Gaia Ciência]
 

Gosto de lembrar da história do homem destinado a ser contraditório. 😛

O cara que no maior estilo de “amor[?] à natureza” segura uma mangueira e rega, com ares de “não quero mais viver isso um milhão de vezes mais“, um pequeno gramado.

 
Tudo isto estaria “certo”, se ele não estivesse em pé, na própria grama.
 
Salvando[?] o mundo com a mão e destruindo-o com os pés.
 
É contraditório viver uma vida que não queremos repetir.
 
Enfim, e do nosso destino?
 
Eu tenho tentado “jogar” com as cartas que ele embaralhou e me deu…
“Os outros eu conheci por ocioso acaso. A ti vim encontrar porque era preciso.” [Caio F. Abreu]
Enfim, não sei muito bem qual será o nosso destino, porque ele depende de outras “cartas” que se encontram nas suas mãos.
Mas queria que [o quanto antes] o destino da equação eu e você pudesse ser [da mesma forma e um milhão de vezes] = Nós
Nós dois atados ao mesmo destino
Destinós

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